- A TV responde por 90% ou mais das exposições do nome nos quatro estádios paulistas.
- O Nubank paga 2,4 vezes o que a Neo Química paga e tem metade da lembrança de marca no Brasil.
- Morar até 5 km do estádio aumenta a lembrança do nome em 4 a 11 pontos onde há clube em casa.
- Nomes que mantêm o original, como o Pacaembu, ganham brand equity mais rápido.
Do investimento à memória
Naming rights é quando uma marca paga para dar nome a um estádio. Este estudo segue esse dinheiro em quatro passos: quanto custa, quantas vezes o nome aparece, quanto o público lembra e o que isso vale para a marca.
Marca cresce quando é lembrada na hora certa
Marcas crescem quando vêm à cabeça na hora da compra. Para isso servem os ativos distintivos: cores, símbolos e nomes que fazem a pessoa lembrar da marca sem esforço. Um ativo só funciona se for único (ninguém mais usa) e se tiver brand equity (a maioria das pessoas liga ele à marca).
Dar nome a um estádio é alugar um ativo desses. O contrato garante a parte do único: só uma marca tem aquele estádio. O brand equity não vem no contrato. Vem de quantas vezes o nome é dito na TV e por quantos anos. É isso que o estudo mede.
Leia o estudo completo.
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- Quanto custam mil exposições do nome
- O modelo de CPM
- O nome que o torcedor fala
- Da exposição à lembrança
- A cadeia inteira
- Seis jeitos de comprar um nome
- O que os dados dizem
- O que o Brasil já vendeu
- Método e fontes
Quanto custam mil exposições do nome
Somamos todas as vezes que o nome aparece em um ano: quem vai ao estádio, quem assiste aos jogos na TV, no Brasil e fora, na Champions ou na Libertadores, e no streaming. Depois dividimos o custo anual por esse total. Os quatro estádios paulistas são comparados com Barcelona e Dortmund.
○ No Camp Nou, o círculo vazado mostra o CPM com o valor condicional de €20 milhões (R$ 323). O Pacaembu, com R$ 4.784, fica fora da escala: 33 vezes o da Neo Química.
A TV responde por 90% ou mais das exposições em todos os casos. Onde há clube mandante e jogo toda semana na TV aberta, o CPM fica entre R$ 143 e R$ 328.
O Camp Nou, com audiência fora da Espanha e seis jogos de Champions em casa, fica em R$ 161. O Pacaembu, sem clube fixo e com um único jogo na TV em 2025, custa R$ 4.784: ali a marca compra shows e eventos, não narração de jogo.
O modelo de CPM
Seis estádios, um mesmo cálculo: quanto o patrocinador paga por mil exposições ao nome, somando quem vai ao estádio, quem assiste aos jogos em casa na TV do país e fora dele, na Champions ou na Libertadores, e no streaming. Só contam jogos e eventos no próprio estádio: Mundial de Clubes, jogos fora e seleções ficam de fora para todos.
- 01Estádio
Presencial
Visitas anuais ao estádio: público pagante de futebol mais ingressos de shows e eventos, onde publicados. Uma visita é uma exposição.
- 02TV
TV no país
Jogos da liga em casa transmitidos, vezes a audiência média por jogo no país. Brasil: 16 pontos no PNT da Kantar Ibope, o piso da Globo no Brasileirão 2025, igual a 11,1 milhões de pessoas por jogo. Espanha e Alemanha: audiência média por jogo do clube (Barlovento e Sport Bild).
- 03Fora
TV fora do país
Nenhuma liga publica audiência internacional por jogo. A LaLiga declara 2,7 bilhões de espectadores acumulados por temporada, 7,1 milhões por jogo, nove vezes a média doméstica. Adotou-se oito vezes a audiência doméstica de cada clube para LaLiga e Bundesliga; para o Brasileirão, zero.
- 04Copa
Champions e Libertadores
Champions: 15 milhões de espectadores ao vivo por jogo em casa. Libertadores: 21 pontos no PNT nos jogos da Globo (14,5 milhões); a pré-Libertadores do Corinthians, só em São Paulo (26 pontos, 5,2 milhões).
- 05Online
Streaming
Visualizações publicadas dos jogos do clube na CazéTV (YouTube) no Brasileirão 2025, atribuindo metade aos jogos em casa. Não há dado equivalente para Barcelona e Dortmund.
- 06R$
Custo
Valor anual do naming rights conforme reportado; Pacaembu pela receita contábil de 2025; europeus convertidos a €1 = R$ 6,0522 (30 de outubro de 2026).
| Estádio | Custo (R$ mi) | Estádio | TV no país | TV fora | Continental | Streaming | Total | CPM (R$) | Faixa |
|---|---|---|---|---|---|---|---|---|---|
| 21,0 | 1,64 | 94,2 | 0 | 10,4 | 41,0 | 147,1 | 143 | 143 a 154 | |
| 25,0 | 1,34 | 88,6 | 0 | 43,6 | 26,4 | 160,0 | 156 | 132 a 215 | |
| 60,5121,0 | 1,45 | 31,5 | 252,0 | 90,0 | n/d | 375,0 | 161323 | 102 a 276 | |
| 51,0 | 2,18 | 83,1 | 0 | 58,2 | 12,2 | 155,6 | 328 | 276 a 523 | |
| 66,6 | 2,20 | 13,8 | 110,7 | 75,0 | n/d | 201,7 | 330 | 200 a 549 | |
| 55,0 | 0,42 | 11,1 | 0 | 0 | n/d | 11,5 | 4.784 | 4.700 a 4.800 |
Exposições são contatos, não pessoas únicas: quem vê oito jogos conta oito vezes, como em qualquer CPM de mídia. A faixa varia a TV fora do país entre 4 e 12 vezes a doméstica, a Champions entre 10 e 30 milhões por jogo e a Libertadores entre nenhum e todos os jogos em casa na Globo.
Com a Champions na conta, Barcelona entra na faixa dos paulistas
- 011,1×
Camp Nou ÷ Neo Química
CPM 1,1 vez; custo anual 2,9 vezes. O Barcelona expõe o nome a 375 milhões por ano: 252 milhões fora da Espanha e 90 milhões em seis jogos de Champions em casa. O CPM fica quase igual.
- 022,3×
Nubank ÷ Neo Química
CPM 2,3 vezes; custo anual 2,4 vezes. Mesma TV aberta, mesma cidade. O Palmeiras tem seis jogos de Libertadores em casa a mais que o Corinthians, mas o contrato custa 2,4 vezes mais.
- 032,0×
Signal Iduna ÷ Camp Nou
CPM 2 vezes; custo anual 1,1 vez. Custo parecido, metade da exposição: o Dortmund tem 814 mil por jogo na TV alemã contra 1,7 milhão do Barcelona, e fez cinco jogos de Champions em casa.
| Estádio · clube | Custo anual | Capacidade | Público futebol 2025 | Shows e eventos | Jogos em casa na TV | Audiência por jogo | Champions ou Libertadores | Torcida | Seguidores |
|---|---|---|---|---|---|---|---|---|---|
| R$ 51 mi | 43.713 | 1.188.503 | 988 mil | 7,5 | 11,1 mi | 6 (4 na Globo) | 11,6 mi · 7% | 24,5 mi | |
| R$ 21 mi | 48.905 | 1.638.530 | n/d | 8,5 | 11,1 mi | 2 (pré, só em SP) | 23,2 mi · 14% | 43,1 mi | |
| R$ 25 mi | 66.795 | 1.061.468 | 281 mil | 8 | 11,1 mi | 5 (3 na Globo) | 10,0 mi · 6% | 22,0 mi | |
| R$ 55 mi | 26.000 | ~170 mil (est.) | ~250 mil (est.) | 1 | 11,1 mi | 0 | — | — | |
| €10 mi · €20 mi | 62.652 | 1.446.520 | n/d | 19 | 1,66 mi | 6 (2025/26) | 9 mi · 27% | 441,8 mi | |
| €11 mi | 81.365 | 2.199.042 (todos os eventos) | incluído | 17 | 0,81 mi | 5 (2025/26) | 7,6 mi · 11% | 90 mi |
Torcida: Datafolha de julho de 2026 sobre 166 milhões de brasileiros com 16 anos ou mais; Barcelona, 27% dos espanhóis (Betfair, nov/2025); Dortmund, 10,9% dos alemães com 14 anos ou mais (YouGov, 2019). Seguidores: Ibope Repucom (jul/2026), CIES (mai/2026) e o próprio BVB (out/2026).
| Estádio | R$ por torcedor | R$ por seguidor | R$ por lugar | CPM só presencial | CPM só TV no país |
|---|---|---|---|---|---|
| 0,90 | 0,49 | 429 | 12.816 | 223 | |
| 2,51 | 1,14 | 374 | 18.622 | 282 | |
| 4,39 | 2,08 | 1.167 | 23.432 | 614 | |
| 6,72 | 0,14 | 966 | 41.840 | 1.921 | |
| 8,76 | 0,74 | 818 | 30.274 | 4.811 | |
| — | — | 2.115 | 130.952 | 4.955 |
Só com a TV do país, os europeus parecem dez vezes mais caros: é o efeito da medição, não do contrato. Por seguidor, Barcelona fica barato porque a base é global (442 milhões). Por lugar, o Signal Iduna Park é o mais barato da Europa: 81.365 lugares, o maior estádio da lista.
O nome que o torcedor fala
Nenhum instituto publicou pesquisa de lembrança do nome comercial para estes estádios antes das pesquisas do askIQ deste estudo. O que existe é evidência editorial: quem usa o nome, quem resiste e há quanto tempo a marca está na fachada.
Nubank ParquePalestra Itália → Allianz Parque (2014) → Nubank Parque (2026)11 anosde Allianz para apagarA própria campanha de lançamento do Nubank, com Fred Bruno como "fiscal de naming rights", assume que boa parte do público seguirá dizendo Allianz Parque. A Allianz saiu antes do prazo alegando "conhecimento de marca atingido". Especialistas consultados na votação do nome estimam cinco anos de ativação para o nome pegar.
Neo Química ArenaArena Corinthians (2014) → Neo Química Arena (2020)6 anosde nome, em fim de cicloEm setembro de 2020 a Globo passou a citar Neo Química Arena, Allianz Parque e Arena MRV sem cobrar pelo nome. É o nome comercial mais consolidado do Brasil, e está em fim de ciclo: o Corinthians negocia a rescisão com a Hypera e tem a Caixa como substituta cotada, por cerca de R$ 15 milhões anuais.
MorumBISMorumbi (1960) → MorumBIS (2024)65 anosde Morumbi por baixo do trocadilhoA imprensa registrou reação mista e apego ao "Morumbi"; a Mondelēz nunca divulgou métrica de reconhecimento, só a meta de ganhar 20% de participação do Bis até 2030. O contrato não será renovado: em fevereiro de 2027 o estádio volta a se chamar Morumbi.Mercado Livre Arena PacaembuPacaembu / Paulo Machado de Carvalho (1940) → Mercado Livre Arena Pacaembu (2024)146eventos por ano, três quartos fora do futebolO nome comercial preserva o apelido histórico, e a fachada mantém "Paulo Machado de Carvalho". A exposição é de shows e corporativo, não de narração esportiva. Não há pesquisa nem reportagem sobre adoção do nome pelo público.
Spotify Camp NouCamp Nou (1957) → Spotify Camp Nou (2022)625 a 49votos dos sócios a favor do acordoA marca na frente e o nome histórico preservado. A imprensa usa o nome completo; um social listening de 2022 contou 290 mil menções a "Spotify Camp Nou" em oito meses, a maioria neutra. Entre torcedores polarizados, 22% a 42% positivas, dependendo da rede.
Signal Iduna ParkWestfalenstadion (1974) → Signal Iduna Park (2005)21 anosde nome, e a disputa não acabouOs ultras saúdam os visitantes com "Willkommen im Westfalenstadion" e fizeram o mosaico "Für immer Westfalenstadion" em 2023. Na Champions e na Euro 2024 o estádio vira "BVB Stadion Dortmund". Na Alemanha, só 22% dos torcedores acham aceitável uma marca comunicar apoio ao time.
Nomes que preservam o original entram na fala sem disputa. Nomes que substituem o original levam cerca de cinco anos e dependem da regra editorial da TV. Nomes que trocam de marca herdam a memória do anterior: o Nubank paga R$ 51 milhões por ano também para apagar onze anos de Allianz.
Da exposição à lembrança
Oito pesquisas do askIQ em novembro de 2026, com 5.710 respostas. Duas perguntas por estádio, de múltipla escolha: qual empresa dá nome ao estádio (a marca entre três concorrentes) e qual é o nome do estádio (o nome comercial entre nomes antigos e oficiais). Comparamos quem esteve a até 5 km do estádio, pela base de localização do geoIQ, com o Brasil inteiro. A diferença é o lift.
- Brasil
- Até 5 km do estádio
A vizinhança muda o pódio
Em três dos quatro estádios, morar perto sobe o patrocinador de posição. A Neo Química é a 2ª resposta no Brasil, atrás da Medley, e a 1ª perto do estádio, com 7,4 p.p. de vantagem. O Nubank Parque, que no Brasil perde para Palestra Itália e Allianz Parque, perto do estádio já passa o Allianz. O MorumBIS sobe de 3º para 2º no nome, mas segue 23 a 27 p.p. atrás de Cícero Pompeu de Toledo, e a marca Bis fica atrás da Baton em todo lugar. Só o Mercado Livre lidera em tudo, com vantagem menor perto do estádio: cai de 19,4 para 14,9 p.p. na marca e de 15,1 para 4,8 p.p. no nome.
A cadeia inteira
Para cada estádio: quanto custa, quantas vezes o nome aparece, quanto custa cada mil aparições, quantos brasileiros lembram da marca e do nome, quanto a vizinhança lembra a mais e quanto custa cada ponto de brand equity.
| Estádio | Investimento/ano | Exposições | CPM (R$) | Marca · Brasil | Nome · Brasil | Lift no nome | Custo por ponto |
|---|---|---|---|---|---|---|---|
| R$ 21 mi | 147 mi | 143 | 28,8% | 36,5% | ▲ +10,5 p.p. | R$ 0,73 mi | |
| R$ 25 mi | 160 mi | 156 | 18,2% | 13,9% | ▲ +4,4 p.p. | R$ 1,37 mi | |
| R$ 51 mi | 156 mi | 328 | 14,9% | 15,7% | ▲ +8,0 p.p. | R$ 3,42 mi | |
| R$ 55 mi | 12 mi | 4.784 | 40,5% | 33,7% | ▼ −2,6 p.p. | R$ 1,36 mi |
Custo por ponto de brand equity: o investimento anual dividido pela porcentagem de brasileiros que acertam a marca. Serve para comparar ordens de grandeza. O brand equity acumula com os anos de contrato, então os nomes mais novos (Nubank, 2026) ainda estão pagando pelo que vão colher.
Neo QuímicaO ativo já é único e tem brand equityR$ 0,73 mipor ponto de brand equityMenor CPM, maior lift no nome e o único nome comercial paulista que já vence o nome antigo no Brasil inteiro. Seis anos de narração fizeram o trabalho.
NubankÚnico, ainda sem brand equityR$ 3,4 mipor ponto de brand equityO contrato mais caro do país compra um nome que ainda é a terceira resposta no Brasil. Mas o lift perto do estádio (+8 p.p. em poucos meses) mostra que a memória começou a se formar onde o nome é vivido.
MorumBISBrand equity da marca, não do nomeR$ 1,4 mipor ponto de brand equityO público reconhece o Bis, mas não adota o MorumBIS: é o menor lift no nome. O trocadilho não vira ativo distintivo porque o nome original continua dentro dele. O contrato acaba em janeiro de 2027.PacaembuBrand equity sem narraçãoR$ 1,4 mipor ponto de brand equityMaior CPM e lift negativo, mas a marca mais lembrada do estudo no Brasil (40,5%). O Mercado Livre compra um nome que mantém "Pacaembu" e que a imprensa e os shows já consolidaram.
Seis jeitos de comprar um nome
Os contratos não são iguais. Mudam o que a marca faz com o nome original, se há clube jogando toda semana, quanto tempo dura, como o valor é cobrado e o que vem junto.
| Estádio | O nome | Quem joga lá | Período | Valor por ano | CPM | Marca · Brasil |
|---|---|---|---|---|---|---|
| Substituiu "Arena Corinthians" | Corinthians, toda semana | 2020 a 2040 · 20 anos | R$ 15 mi corrigidos (hoje R$ 21 mi). Só o nome | 143 | 28,8% | |
| Trocadilho com "Morumbi" | São Paulo, toda semana | 2024 a jan/2027 · 3 anos | R$ 25 mi. Só o nome | 156 | 18,2% | |
| Substituiu "Allianz Parque", que já era marca | Palmeiras, toda semana | 2026 a 2044 · 18 anos | US$ 10 mi, cerca de R$ 51 mi. Em dólar | 328 | 14,9% | |
| Pôs a marca na frente e manteve "Pacaembu" | Sem clube. Estádio da Prefeitura | 2024 a 2029 · renovável até 30 | R$ 10 mi no contrato; R$ 55 mi na receita de 2025 | 4.784 | 40,5% | |
| Pôs a marca na frente e manteve "Camp Nou" | Barcelona, toda semana e Champions | Desde 2022, por temporada | €10 mi; sobe para €20 mi acima de 90% de lotação | 161 | não medido | |
| Substituiu "Westfalenstadion" em 2005 | Dortmund, toda semana e Champions | 2022 a 2031 · 9 anos | €11 mi. Pacote: nome, LED, TV do clube e canais | 330 | não medido |
Valores em reais convertidos a R$ 6,05 por euro. Neo Química, Nubank e Pacaembu têm valores diferentes conforme a fonte. "Não medido": o estádio não entrou nas pesquisas, que cobriram só São Paulo.
O que os dados dizem
- 0190%
A TV decide o preço, não o estádio.
A Neo Química Arena entrega 1,6 milhão de pessoas no estádio e 94 milhões na TV do país. Quem compra naming rights compra narração, e o CPM segue a grade da TV, não a lotação.
- 024,7×
Dinheiro não compra lembrança.
O Nubank paga 2,4 vezes o que a Neo Química paga e tem metade da lembrança de marca no Brasil (14,9% contra 28,8%). O que separa os dois é seis anos de nome na TV contra poucos meses.
- 03+4 a +11 p.p.
Perto do estádio, todos crescem parecido.
Onde há jogo, o lift no nome é parecido em qualquer idade de contrato: +8 p.p. para o Nubank, +10,5 para a Neo Química, +4,4 para o MorumBIS. O que demora é o resto do Brasil.
- 0433,7%
Manter o nome original acelera.
Dois nomes de 2024: o Pacaembu, que manteve a palavra antiga, é lembrado por 33,7% dos brasileiros; o MorumBIS, que escondeu o Morumbi num trocadilho, por 13,9%.
- 05−32,8 p.p.
Sem brand equity, o concorrente leva o crédito.
Perguntado quem dá nome ao Nubank Parque, o Brasil marca mais C6 Bank do que Nubank, por 32,8 p.p. No MorumBIS, a Baton passa o Bis por 16,4.
- 06−9,9 p.p.
Sem jogo, o nome vive da mídia.
O Pacaembu é o único estádio em que morar perto reduz a lembrança da marca. O nome circula na imprensa e nos shows, não na rotina do bairro.
O que o Brasil já vendeu
São 347 contratos de naming rights mapeados, de estádios a estações de metrô. 128 estão em vigor e 80 começaram em 2025 e 2026, puxados por casas de apostas, bancos e cooperativas de crédito. A maioria dos compradores recentes está comprando o ativo único. Poucos têm tempo de contrato para construir brand equity.
- Todos os registros
- Em vigor
Carregando o mapa de contratos…
Naming rights compra o único. O brand equity se constrói com TV e tempo.
O contrato garante que só uma marca tenha aquele estádio. O brand equity vem de quantas vezes o nome é dito, e isso depende de clube em casa, jogo na TV aberta e anos de contrato. Por isso a Neo Química Arena, com o menor custo por exposição, é também o nome que mais cresce na memória. Nomes que mantêm o original ganham brand equity mais rápido. Nomes que trocam de marca ou fazem trocadilho herdam a memória do nome anterior e pagam anos a mais.
Para quem compra, a conta é a cadeia inteira: custo por exposição, exposição por ponto de brand equity, e brand equity ligado a uma situação real, o jogo, o show, o bairro. Para quem vende, 2027 reabre o mercado paulista: o Morumbi volta ao nome original e a Neo Química Arena troca de marca.
Método e fontes
Teoria
Sharp, How Brands Grow (2010); Romaniuk e Sharp, How Brands Grow Part 2 (2016); Romaniuk, Building Distinctive Brand Assets (2018); Romaniuk e Sharp, Conceptualizing and measuring brand salience, Marketing Theory (2004). Síntese a partir das Brand Science Notes do Groundflow.
Exposição, preço e contratos
CPM com custo reportado (Pacaembu pela demonstração financeira de 2025), público de 2025, audiência da Kantar Ibope no PNT, Barlovento e Sport Bild, e hipóteses declaradas para audiência fora do país e Champions, com faixa. O modelo completo está na seção “O modelo de CPM” e os contratos, com fonte por registro, no mapa de “O que o Brasil já vendeu”.
Limites da conta
O CPM aqui é uma razão entre custo contratual e contatos estimados com o nome do estádio em jogos e eventos realizados nele. Não mede visibilidade da marca na tela, tempo de exposição, menções na imprensa, redes sociais, nem separa alcance de frequência. A audiência internacional e a da Champions são hipóteses declaradas, com faixa; a comparação é mais sólida que o valor absoluto. Valores de contrato são os reportados pela imprensa, exceto o Pacaembu (demonstração financeira de 2025; público estimado) e os prazos oficiais de Spotify e Signal Iduna; nenhum contrato é público na íntegra, e os pacotes incluem ativações e hospitalidade. Os €11 milhões anuais do Signal Iduna Park (€100 milhões por nove anos, segundo a Bild) incluem o status de “champion partner” (LED, BVB-TV, canais do clube). Os valores não são receita líquida dos clubes: o Nubank negociou com a WTorre, e o Pacaembu é da concessionária Allegra.
Presencial. Nubank Parque: 1.188.503 pagantes do Palmeiras em 2025 mais 988 mil ingressos de shows (Pollstar). MorumBIS: 1.061.468 do São Paulo mais 281 mil de shows. Neo Química: 1.638.530 pagantes de futebol no estádio (Gazeta Esportiva). Camp Nou: média de 49.880 da temporada 2025/26 vezes 29 jogos em casa. Signal Iduna Park: 2.199.042 visitantes em 2025, todos os eventos (Stadionwelt). Pacaembu: 141 eventos em 2025 sem público divulgado; a estimativa soma cerca de 420 mil visitas (faixa de 300 a 600 mil), e com o teto ou o piso o CPM fica entre R$ 4.700 e R$ 4.800.
TV no país. A Kantar Ibope não publica audiência média por clube: usou-se 16 pontos no PNT (1 ponto = 692.281 pessoas em 2025), o piso da Globo no Brasileirão 2025. Jogos em TV aberta por clube vêm da contagem da Trivela para a praça de São Paulo, divididos ao meio para estimar os jogos em casa. Barcelona: 1,658 milhão por jogo (Barlovento). Dortmund: 814 mil por jogo na Sky e DAZN (Sport Bild).
TV fora do país e competições continentais. A LaLiga declara 2,7 bilhões de espectadores acumulados por temporada (IMG); adotou-se 8 vezes a audiência doméstica para Barcelona e Dortmund e zero para o Brasileirão. Champions: 15 milhões por jogo em casa, faixa de 10 a 30. Libertadores 2025: 21 pontos no PNT nos 13 jogos da Globo em rede; a pré-Libertadores do Corinthians, só em São Paulo. Mundial de Clubes, jogos fora, seleções e Copa do Brasil ficaram de fora de todos.
Streaming. Visualizações no YouTube não são pessoas nem minutos assistidos; a CazéTV só publicou os jogos de maior audiência (Corinthians 81,98 milhões em 8 jogos; São Paulo 52,78 em 4; Palmeiras 24,47 em 4), e metade foi atribuída aos jogos em casa. Premiere, SporTV e Prime Video não publicam audiência por jogo, o que subestima o Brasil.
Câmbio e torcida. €1 = R$ 6,0522 e US$ 1 = R$ 5,4212 (30 de outubro de 2026, Banco Central e OBM), sem ajuste de inflação. Torcida: Datafolha de julho de 2026 (2.004 entrevistas, margem de 2 pontos) sobre 166 milhões de brasileiros com 16 anos ou mais; Barcelona, Betfair (nov/2025); Dortmund, YouGov (2019). Seguidores são contas, não pessoas, e somam cinco plataformas.
Fontes consultadas. Contratos: ge, Brazil Journal, demonstrações financeiras do Pacaembu, SportsPro, Crónica Global, Forbes España, comunicado da Signal Iduna, Stadionwelt/Bild. Público e capacidade: relatórios de Palmeiras, SPFC, Barcelona e BVB, Gazeta Esportiva, Poder360/Pollstar, Money Times. TV e streaming: Kantar Ibope, Globo, Máquina do Esporte, Trivela, Barlovento, Sport Bild, Nielsen, IMG, DFL, Lance. Torcida e redes: Datafolha, Ipsos-Ipec, YouGov, Betfair, CIES. Marca: Goal, Terra/Estadão, Exame, Diário de Pernambuco, O Tempo, Lance, Ruhr Nachrichten, Sport1, Horizont/YouGov. Logos são marcas registradas dos patrocinadores, usadas apenas para identificação.
Lembrança
Oito pesquisas do askIQ, novembro de 2026, 5.710 respostas, lembrança estimulada em múltipla escolha. Grupo exposto: quem esteve a até 5 km do estádio, pela base de localização da HYPR (geoIQ). Grupo de controle: Brasil. Lift em pontos percentuais. Relatório: HYPR Brand Lift, novembro de 2026.