- De dezembro a maio, a cesta de alimentos subiu 4,8% nos 16 distritos de menor renda e 3,5% nos 13 de maior renda.
- Em junho e julho, a cesta caiu 0,8% na periferia, enquanto nos distritos de maior renda ainda variou +0,1%.
- Nas mesmas 65 lojas da periferia, o quilo do tomate passou de R$ 6,50 para R$ 13,07 e depois recuou para R$ 7,74.
- Pelo mesmo código de barras, a periferia paga em média 10% menos, embora veja esse preço oscilar mais depressa.
Uma cidade, duas inflações
Em dezembro de 2025, o quilo do tomate custava em média R$ 6,50 nas lojas dos distritos de menor renda de São Paulo. Em maio, nas mesmas 65 lojas, o mesmo quilo saía por R$ 13,07, e em julho já tinha recuado para R$ 7,74. Essa ida e volta resume bem o que a HYPR encontrou ao acompanhar o preço da comida na capital paulista ao longo de oito meses. Os alimentos subiram e depois cederam em toda a cidade, mas o movimento começou mais cedo, foi mais intenso e se desfez mais depressa onde a renda é menor.
Entre dezembro de 2025 e maio de 2026, a cesta de alimentos encareceu 4,8% nos 16 distritos com renda média abaixo de R$ 3 mil, onde vivem 3,35 milhões de pessoas. Nos 13 distritos com renda acima de R$ 10 mil, a alta foi de 3,5%. A distância de 1,4 ponto percentual se formou em poucos meses e significa que, no mesmo período, moradores de uma mesma cidade conviveram com duas inflações diferentes. Quando os preços começaram a ceder, a ordem se repetiu, e em junho e julho a cesta caiu 0,8% na periferia, enquanto nos distritos de maior renda ainda variou +0,1%.
Para chegar a esses números, o estudo não recorreu a pesquisas de preço nem a cestas teóricas. O ponto de partida foi aquilo que as pessoas efetivamente compraram, registrado em 39,6 milhões de notas fiscais emitidas na capital e lidas item a item. Delas saíram 2,6 milhões de comparações do mesmo produto, na mesma loja, de um mês para o outro, o que isola a remarcação de preço de qualquer mudança no tipo de loja ou de mercadoria.
Leia o estudo completo.
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- Os oito principais achados
- De onde vêm os números
- Como a diferença se abriu e se fechou
- O peso dos tubérculos e das hortaliças
- Quanto custava o quilo
- Marcas e produtos idênticos
- O mapa da alta
- Zonas, subprefeituras e distritos
- Supermercado, sacolão e açougue
- As notas fiscais conferem com o IPCA?
- Metodologia
Os oito principais achados
Os oito pontos abaixo resumem o estudo, e as seções seguintes detalham cada um deles. Em todos, a comparação acompanha o mesmo produto na mesma loja, e só aparecem distritos, marcas e produtos com pelo menos 20 lojas em cada grupo.
- 011,4 p.p.
A alta chegou antes e com mais força à periferia
De dezembro a maio, a cesta subiu 4,8% nos 16 distritos de menor renda e 3,5% nos 13 de maior renda, o que abriu uma diferença de 1,4 ponto no pico.
- 02−0,8%
O alívio também começou por lá
Em junho e julho, a cesta caiu 0,8% na periferia, enquanto nos distritos de maior renda ainda variou +0,1%. Em julho, a diferença acumulada tinha encolhido para 0,4 ponto.
- 03+94%
O tomate quase dobrou de preço antes de recuar
Nas mesmas 65 lojas da periferia, o quilo passou de R$ 6,50 para R$ 13,07 e voltou a R$ 7,74. Nas 77 lojas dos distritos de maior renda, foi de R$ 10,04 para R$ 14,24.
- 04+140%
Cenoura, batata e cebola fizeram o mesmo percurso
Até maio, a cenoura subiu 140% na periferia e 54% nos distritos de maior renda. A batata avançou 78% e 37%, e a cebola, 53% e 29%.
- 05+12,4%
Leite, arroz e feijão também pesaram mais na periferia
Os laticínios subiram 12,4%, contra 6,0% nos distritos de maior renda, e o arroz e o feijão, 10,1% contra 4,3%. Nas carnes, os dois grupos ficaram próximos, com 5,8% e 4,8%.
- 0610%
Pelo mesmo produto, a periferia paga menos
Com o mesmo código de barras, o preço mediano é 10% menor nos distritos de menor renda. Em maio, 129 dos 146 produtos comparados custavam menos lá.
- 07+4,4%
A Zona Leste teve a maior alta da cidade
Até maio, a cesta subiu 4,4% na Zona Leste, 4,0% nas zonas Norte e Sul, 3,6% no Centro e 3,3% na Zona Oeste. Entre as subprefeituras, Sapopemba ficou à frente, com 5,9%.
- 08+5,7%
A diferença se forma nos supermercados
Nas lojas de autosserviço, a alta até maio chegou a 5,7% na periferia e a 3,5% nos distritos de maior renda. Nos mercados tradicionais, os dois grupos ficaram próximos, com 3,7% e 3,5%.
De onde vêm os números
Medir a inflação distrito por distrito exige uma base de dados grande, e esta é. São 39,6 milhões de notas fiscais de consumidor emitidas na capital entre dezembro de 2025 e julho de 2026, que somam R$ 3,76 bilhões em compras feitas em até 18,4 mil estabelecimentos por mês. Dessas notas saem 54 milhões de registros de itens da cesta, que correspondem a 66 milhões de unidades e quilos de comida.
Para comparar a cidade pela renda, o estudo separou dois grupos de distritos a partir da renda média por domicílio registrada no Censo 2022. De um lado estão 16 distritos com renda abaixo de R$ 3 mil, onde moram 3,35 milhões de pessoas. Do outro, 13 distritos com renda acima de R$ 10 mil e 1,07 milhão de moradores. A distância entre eles aparece até no tamanho da compra, já que em maio a nota fiscal média foi de R$ 53,20 no primeiro grupo e de R$ 134,92 no segundo.
| Menor renda | Maior renda | |
|---|---|---|
| Distritos | 16 | 13 |
| Renda média por domicílio (Censo 2022) | abaixo de R$ 3 mil | acima de R$ 10 mil |
| Moradores | 3,35 milhões | 1,07 milhão |
| Lojas com preços acompanhados (maio) | 752 | 2.076 |
| Notas fiscais no período | 4,3 milhões | 9,5 milhões |
| Valor médio por nota (maio) | R$ 53,20 | R$ 134,92 |
Como a diferença se abriu e se fechou
Com os dois grupos definidos, a primeira pergunta é quando a distância entre eles apareceu. Em janeiro e fevereiro, as curvas andaram praticamente juntas, e quem olhasse apenas para esses dois meses não notaria diferença entre os distritos. A separação começa em março, quando os hortifrútis disparam e a cesta da periferia se descola. Em maio, a distância chega a 1,4 ponto.
Depois do pico, o movimento se inverte. Entre junho e julho, a cesta da periferia recua mais depressa e, ao fim do período, a diferença está quase fechada, com altas acumuladas de 4,0% nos distritos de menor renda e de 3,6% nos de maior renda.
- 16 distritos com renda média abaixo de R$ 3 mil
- 13 distritos acima de R$ 10 mil
O peso dos tubérculos e das hortaliças
O que abriu essa distância foi, sobretudo, a comida fresca. Até maio, os tubérculos e legumes subiram 46,8% na periferia e 16,9% nos distritos de maior renda, quase 30 pontos de diferença, a maior de toda a cesta. Em seguida aparecem as hortaliças, o leite e seus derivados e o arroz e o feijão, todos com altas bem maiores nos distritos de menor renda.
Na outra ponta da tabela, óleos, bebidas e café, aves e ovos e açúcares e doces subiram menos na periferia do que nos distritos de maior renda. A diferença entre os dois grupos, portanto, se concentra nos produtos frescos e nos básicos do dia a dia. Na descida, os tubérculos voltam a ser protagonistas. Em junho e julho, caíram 14,8% na periferia e apenas 1,5% nos distritos de maior renda. A última coluna traz o IPCA do mesmo período e mostra que a alta dos tubérculos atingiu toda a região metropolitana, embora tenha chegado com mais força aos distritos de menor renda.
| Dezembro a maio | Junho e julho | IPCA | ||||
|---|---|---|---|---|---|---|
| Grupo | Menor renda | Maior renda | Dif. (p.p.) | Menor renda | Maior renda | Dez–mai |
| Tubérculos e legumes | +46,8% | +16,9% | +29,9 | −14,8% | −1,5% | +43,1% |
| Hortaliças | +21,7% | +8,7% | +13,0 | +3,0% | +1,8% | +13,2% |
| Leite e derivados | +12,4% | +6,0% | +6,4 | +1,8% | +1,1% | +12,9% |
| Arroz e feijão | +10,1% | +4,3% | +5,8 | +0,9% | +1,8% | +8,9% |
| Carnes | +5,8% | +4,8% | +1,0 | −0,8% | −0,8% | +6,6% |
| Panificados | +2,4% | +1,7% | +0,6 | +1,0% | +1,0% | +1,7% |
| Frios e embutidos | +1,1% | +1,7% | −0,6 | −0,8% | +0,5% | +1,2% |
| Açúcares e doces | +0,9% | +2,3% | −1,4 | −1,2% | +0,3% | +2,2% |
| Frutas | −4,1% | −2,5% | −1,5 | +0,6% | +0,4% | −1,4% |
| Aves e ovos | +0,2% | +2,1% | −1,9 | −1,6% | −0,7% | +1,3% |
| Bebidas e café | −0,7% | +1,6% | −2,3 | −1,3% | +0,4% | −0,5% |
| Óleos | −2,5% | +0,1% | −2,6 | −0,8% | −1,2% | −4,4% |
Quanto custava o quilo
No nível de cada produto, a história fica mais palpável. Na periferia, entre dezembro e maio, a cenoura subiu 140%, o tomate 94% e a batata 78%, enquanto nos distritos de maior renda as altas desses itens ficaram em torno da metade. Cada linha da tabela considera apenas as lojas que venderam o mesmo produto nos três meses, de modo que os números refletem a remarcação de preços, sem a interferência de lojas que entraram ou saíram da amostra.
Os níveis de preço ajudam a entender o tamanho do susto. Em dezembro, o quilo do tomate custava R$ 6,50 nas lojas da periferia e R$ 10,04 nas dos distritos de maior renda. Partindo de uma base mais baixa, o preço na periferia quase dobrou e, em maio, chegou a R$ 13,07, perto dos R$ 14,24 cobrados do outro lado da cidade. Em julho, voltou a R$ 7,74. As frutas fizeram o caminho inverso, já que maçã, banana nanica e mamão ficaram mais baratos nos dois grupos, com quedas maiores justamente na periferia.
| Distritos de menor renda | Distritos de maior renda | |||||||||
|---|---|---|---|---|---|---|---|---|---|---|
| Quilo (R$) | Dez | Mai | Jul | Dez–mai | Lojas | Dez | Mai | Jul | Dez–mai | Lojas |
| Tomate | 6,50 | 13,07 | 7,74 | +94% | 65 | 10,04 | 14,24 | 12,63 | +45% | 77 |
| Cenoura | 4,30 | 10,79 | 7,97 | +140% | 57 | 9,34 | 13,65 | 13,27 | +54% | 64 |
| Batata | 4,81 | 9,60 | 6,67 | +78% | 75 | 8,98 | 12,98 | 12,32 | +37% | 77 |
| Cebola | 3,63 | 6,39 | 7,19 | +53% | 73 | 6,75 | 8,10 | 9,38 | +29% | 79 |
| Queijo | 45,02 | 52,31 | 55,80 | +13% | 77 | 75,41 | 75,53 | 78,57 | +4% | 101 |
| Acém | 33,89 | 38,97 | 38,80 | +11% | 53 | 39,80 | 42,27 | 41,75 | +6% | 35 |
| Músculo | 33,97 | 39,13 | 40,71 | +12% | 36 | 40,51 | 44,11 | 45,10 | +7% | 35 |
| Patinho | 44,41 | 49,51 | 48,19 | +6% | 46 | 56,55 | 57,73 | 58,22 | +4% | 41 |
| Alcatra | 51,52 | 51,51 | 50,38 | +6% | 35 | 66,59 | 64,18 | 62,85 | +7% | 38 |
| Contrafilé | 53,78 | 55,24 | 53,67 | +4% | 37 | 63,33 | 64,58 | 63,93 | +7% | 37 |
| Linguiça | 25,50 | 26,57 | 25,68 | +2% | 63 | 35,84 | 32,51 | 34,46 | +1% | 65 |
| Pão francês | 16,33 | 16,08 | 16,92 | +2% | 106 | 21,90 | 23,62 | 23,72 | +2% | 190 |
| Frango em pedaços | 18,43 | 17,32 | 17,00 | −3% | 82 | 28,34 | 24,05 | 24,74 | −2% | 72 |
| Carne de porco | 23,79 | 22,04 | 21,42 | −6% | 50 | 27,45 | 26,90 | 27,02 | −1% | 45 |
| Alho | 26,69 | 26,38 | 29,64 | −10% | 63 | 48,03 | 45,78 | 46,20 | −1% | 73 |
| Mamão | 11,00 | 8,52 | 9,78 | −12% | 30 | 14,52 | 13,56 | 16,01 | −2% | 69 |
| Banana nanica | 6,82 | 6,27 | 6,63 | −14% | 55 | 9,43 | 8,71 | 9,00 | −9% | 94 |
| Maçã | 14,93 | 10,99 | 10,07 | −15% | 44 | 18,54 | 17,13 | 16,61 | −4% | 67 |
Preço médio ponderado pelos quilos vendidos nas lojas que registraram o mesmo produto em dezembro, maio e julho. A variação é a média geométrica das variações de cada produto em cada loja. O nível de preço reflete o tipo de loja e de produto de cada região, por isso a comparação principal é a da variação.
Marcas e produtos idênticos
Diante de tudo isso, seria fácil concluir que a comida é mais cara na periferia, e a comparação de produtos idênticos desmente essa leitura. Com o mesmo código de barras, o preço mediano em maio era menor nos distritos de menor renda em 129 dos 146 produtos comparados, com uma diferença média de cerca de 10%. Esse desconto se manteve ao longo de todo o período, oscilando entre 9,8% e 11,7% conforme o mês.
| Produto | Menor renda | Maior renda | Dif. | Lojas |
|---|---|---|---|---|
| Leite Italac integral 1 L | R$ 5,95 | R$ 6,50 | −8% | 158 / 107 |
| Molho de tomate Quero 240 g | R$ 1,91 | R$ 2,39 | −20% | 135 / 48 |
| Café Pilão almofada 500 g | R$ 29,49 | R$ 34,99 | −16% | 102 / 71 |
| Feijão carioca Camil 1 kg | R$ 9,39 | R$ 9,98 | −6% | 68 / 81 |
| Parmesão ralado Vigor 50 g | R$ 6,99 | R$ 7,79 | −10% | 82 / 65 |
| Macarrão Adria parafuso 500 g | R$ 3,87 | R$ 4,39 | −12% | 86 / 45 |
| Pão de forma Seven Boys | R$ 6,94 | R$ 9,59 | −28% | 61 / 62 |
| Café 3 Corações extraforte 500 g | R$ 29,31 | R$ 33,98 | −14% | 63 / 56 |
| Pão Pullman Artesano 500 g | R$ 14,39 | R$ 15,40 | −7% | 27 / 61 |
O que distingue a periferia é, portanto, a velocidade com que o preço se move, e isso também aparece nas marcas. Das 29 marcas com pelo menos 20 lojas em cada grupo, 20 subiram mais nos distritos de menor renda entre dezembro e maio. As diferenças são menores que as dos alimentos frescos, mas apontam na mesma direção, como mostram o queijo Vigor, com +6,8% na periferia e +0,2% nos distritos de maior renda, e o arroz Camil, com +3,5% e −0,8%.
Para quem gere uma marca, a consequência prática é que o mesmo item pode seguir trajetórias de preço distintas dentro de uma única cidade. A média da capital diz pouco sobre o que o consumidor de cada região encontrou na gôndola mês a mês.
| Marca · item | Menor renda | Maior renda | Lojas |
|---|---|---|---|
| Vigor · Queijo | +6,8% | +0,2% | 23 / 21 |
| Qualy · Margarina | +10,9% | +6,1% | 30 / 29 |
| Camil · Arroz | +3,5% | −0,8% | 27 / 26 |
| Crystal · Refrigerante | +5,5% | +2,9% | 45 / 90 |
| Aurora · Linguiça | +1,8% | −0,7% | 46 / 28 |
| Bis · Biscoito | +4,4% | +2,8% | 26 / 23 |
| Panco · Pão de forma | +4,5% | +3,2% | 30 / 29 |
| Italac · Leite longa vida | +24,6% | +23,6% | 36 / 30 |
| Coca-Cola · Refrigerante | +3,7% | +2,7% | 79 / 348 |
| Sadia · Salsicha | −0,7% | −1,6% | 23 / 24 |
| Pullman · Pão de forma | −1,1% | +0,9% | 20 / 26 |
| Del Valle · Suco de frutas | −0,8% | +1,5% | 29 / 40 |
As diferenças por marca são menores que as dos alimentos frescos. Lojas: menor renda / maior renda.
O mapa da alta
Quando a alta da cesta é distribuída pelos 96 distritos, o desenho fica nítido. No pico, quanto mais longe do centro expandido, maior foi a alta. Os oito distritos que mais subiram até maio estão nas bordas da cidade, da Brasilândia, ao norte, ao Grajaú, ao sul, passando por Sapopemba e São Rafael, na Zona Leste. Já entre os oito que menos subiram, seis formam um arco que vai do Centro à Zona Oeste, com Sé, Consolação, Jardim Paulista, Pinheiros, Lapa e Vila Leopoldina.
- até 3,5%
- 3,5 a 4,0%
- 4,0 a 4,5%
- 4,5 a 5,0%
- acima de 5,0%
- sem amostra suficiente
Maiores altas
| Distrito | Renda | Lojas | Até mai | Até jul |
|---|---|---|---|---|
| Sapopemba | R$ 2.213 | 50 | +6,1% | +5,4% |
| São Rafael | R$ 1.907 | 28 | +5,9% | +5,3% |
| Grajaú | R$ 1.890 | 54 | +5,4% | +4,2% |
| Limão | R$ 3.747 | 57 | +5,4% | +4,8% |
| Pedreira | R$ 2.569 | 27 | +5,3% | +3,0% |
| Brasilândia | R$ 2.037 | 51 | +5,2% | +4,3% |
| Capão Redondo | R$ 2.230 | 59 | +5,1% | +4,0% |
| Vila Matilde | R$ 4.043 | 67 | +5,1% | +4,4% |
Menores altas
| Distrito | Renda | Lojas | Até mai | Até jul |
|---|---|---|---|---|
| Tremembé | R$ 3.068 | 39 | +2,5% | +2,6% |
| Consolação | R$ 13.719 | 190 | +2,6% | +2,9% |
| Lapa | R$ 9.371 | 123 | +2,6% | +2,0% |
| Jardim Paulista | R$ 17.872 | 234 | +2,8% | +3,3% |
| Sé | R$ 3.447 | 85 | +2,9% | +3,0% |
| Pinheiros | R$ 14.722 | 254 | +2,9% | +3,4% |
| Vila Leopoldina | R$ 11.701 | 104 | +2,9% | +2,4% |
| Campo Grande | R$ 7.074 | 98 | +3,0% | +2,3% |
A relação entre renda e inflação continua de pé quando todos os distritos com amostra suficiente entram na conta.
Nos 69 distritos com 20 lojas ou mais, a correlação entre a renda média e a alta da cesta até maio é de −0,52. Entre os 51 distritos com pelo menos 50 lojas, chega a −0,60.
Uma correlação negativa indica que, quanto maior a renda média do distrito, menor tende a ser a alta. O fato de ela ficar mais forte quando a análise se restringe aos distritos com mais lojas, e portanto com amostras mais robustas, sugere que o padrão não depende de casos isolados.
Zonas, subprefeituras e distritos
O mesmo gradiente se repete em escalas maiores. Entre as cinco zonas da cidade, a ordem da alta até maio acompanha a renda média. A Zona Leste, com renda de R$ 3.017, teve a maior alta, de 4,4%, e a Zona Oeste, com R$ 10.152, a menor, de 3,3%. Entre as subprefeituras com 20 lojas ou mais, Sapopemba lidera, com 5,9%, e Pinheiros fecha a lista, com 2,9%.
Em julho, porém, as posições já tinham se aproximado. Pinheiros terminou o período com alta acumulada de 3,5% e Vila Mariana, com 4,0%, patamares parecidos com os de subprefeituras da periferia como Cidade Ademar e Itaim Paulista, ambas com 3,5%.
| Zona | Dez–mai | Jun–jul | Dez–jul | Renda média | Lojas | Notas |
|---|---|---|---|---|---|---|
| Leste | +4,4% | −0,4% | +3,9% | R$ 3.017 | 1.440 | 8,0 mi |
| Norte | +4,0% | −0,4% | +3,5% | R$ 3.501 | 1.077 | 6,3 mi |
| Sul | +4,0% | −0,3% | +3,6% | R$ 4.839 | 1.916 | 8,2 mi |
| Centro | +3,6% | −0,1% | +3,4% | R$ 7.600 | 782 | 4,0 mi |
| Oeste | +3,3% | +0,1% | +3,4% | R$ 10.152 | 1.543 | 7,7 mi |
| Subprefeitura | Dez–mai | Dez–jul | Renda | Lojas |
|---|---|---|---|---|
| Sapopemba | +5,9% | +5,2% | R$ 2.213 | 50 |
| Penha | +5,0% | +4,4% | R$ 3.450 | 183 |
| Cidade Ademar | +4,9% | +3,5% | R$ 2.585 | 114 |
| Capela do Socorro | +4,8% | +4,1% | R$ 2.571 | 162 |
| Vila Prudente | +4,6% | +4,2% | R$ 4.139 | 137 |
| Freguesia / Brasilândia | +4,6% | +4,1% | R$ 2.668 | 125 |
| Pirituba / Jaraguá | +4,4% | +3,9% | R$ 3.175 | 210 |
| Itaquera | +4,4% | +4,0% | R$ 2.688 | 126 |
| Itaim Paulista | +4,4% | +3,5% | R$ 1.997 | 55 |
| Campo Limpo | +4,2% | +3,8% | R$ 4.580 | 165 |
| Aricanduva / Formosa / Carrão | +4,1% | +3,2% | R$ 4.751 | 187 |
| Butantã | +4,0% | +4,2% | R$ 6.986 | 267 |
| Casa Verde / Cachoeirinha | +4,0% | +3,6% | R$ 3.628 | 163 |
| Santana / Tucuruvi | +4,0% | +3,9% | R$ 6.187 | 329 |
| Vila Mariana | +3,9% | +4,0% | R$ 13.916 | 626 |
| Santo Amaro | +3,8% | +3,3% | R$ 10.363 | 400 |
| Mooca | +3,7% | +3,8% | R$ 6.019 | 490 |
| Sé | +3,6% | +3,4% | R$ 7.600 | 782 |
| Ipiranga | +3,5% | +3,2% | R$ 4.775 | 274 |
| Vila Maria / Vila Guilherme | +3,2% | +3,1% | R$ 3.243 | 149 |
| Lapa | +3,2% | +2,8% | R$ 9.313 | 501 |
| Pinheiros | +2,9% | +3,5% | R$ 16.338 | 775 |
Os retratos abaixo mostram o contraste em detalhe. Sapopemba, com renda média de R$ 2.213 e 267 mil moradores, teve a maior alta entre os distritos analisados, de 6,1% até maio, e terminou julho com 5,4%. Nos quatro distritos de menor renda retratados, a alta acumulada recuou depois do pico. Nos quatro de maior renda, ela continuou subindo, e Moema, o distrito de renda mais alta do grupo, com R$ 20.453, passou de 3,4% em maio para 4,8% em julho.
- SapopembaSubpref. Sapopemba+6,1%até maio · +5,4% até julhoRenda média R$ 2.213267 mil moradores437 mil notas · 50 lojas
- São RafaelSubpref. São Mateus+5,9%até maio · +5,3% até julhoRenda média R$ 1.907148 mil moradores69 mil notas · 28 lojas
- GrajaúSubpref. Capela do Socorro+5,4%até maio · +4,2% até julhoRenda média R$ 1.890385 mil moradores230 mil notas · 54 lojas
- BrasilândiaSubpref. Freguesia / Brasilândia+5,2%até maio · +4,3% até julhoRenda média R$ 2.037243 mil moradores162 mil notas · 51 lojas
- PinheirosSubpref. Pinheiros+2,9%até maio · +3,4% até julhoRenda média R$ 14.72265 mil moradores1.329 mil notas · 254 lojas
- Jardim PaulistaSubpref. Pinheiros+2,8%até maio · +3,3% até julhoRenda média R$ 17.87282 mil moradores776 mil notas · 234 lojas
- ConsolaçãoSubpref. Sé+2,6%até maio · +2,9% até julhoRenda média R$ 13.71953 mil moradores1.310 mil notas · 190 lojas
- MoemaSubpref. Vila Mariana+3,4%até maio · +4,8% até julhoRenda média R$ 20.45382 mil moradores817 mil notas · 237 lojas
Supermercado, sacolão e açougue
Falta entender em que tipo de loja essa diferença se forma. Nos supermercados e demais lojas de autosserviço da periferia, a cesta subiu 5,7% até maio, contra 3,5% nas lojas do mesmo tipo dos distritos de maior renda. Nos mercados de bairro, açougues e sacolões, as altas foram parecidas nos dois grupos, de 3,7% e 3,5%. A distância entre a periferia e os bairros de renda mais alta nasce, portanto, nas gôndolas do autosserviço.
Esse detalhe importa porque o autosserviço é o principal canal de compra da periferia. Nos distritos de menor renda, supermercados e lojas de autosserviço respondem por 44% do valor gasto em alimentos, e mercados, açougues e sacolões, por outros 35%. Nos distritos de maior renda, esses canais ficam com 24% e 10%, os restaurantes com 12%, e uma fatia de 44% vem de estabelecimentos sem canal classificado.
- Distritos de menor renda
- Distritos de maior renda
O restante corresponde a estabelecimentos sem classificação de canal (12% na periferia e 44% nos distritos de maior renda).
O que fica para quem vende e anuncia
Para marcas, varejistas e planejadores de mídia que atuam em São Paulo, o estudo deixa algumas consequências práticas. A média da capital esconde duas inflações, e a dos distritos de menor renda reage antes, tanto na alta quanto na queda. Quem acompanha apenas o índice da região metropolitana tende a perceber com atraso o momento em que esse consumidor começa a sentir o aperto, ou o alívio.
No varejo, o autosserviço da periferia é onde essa oscilação aparece com mais intensidade, ainda que, pelo mesmo produto, os preços ali continuem em média 10% abaixo dos praticados nos distritos de maior renda. No planejamento de campanhas, o recorte por distrito mostra que uma mensagem sobre preço, promoção ou economia tem mais chance de acertar quando leva em conta onde está o consumidor e em que ponto do ciclo de preços ele se encontra.
As notas fiscais conferem com o IPCA?
Todas as conclusões anteriores dependem de uma premissa, a de que as notas fiscais medem a inflação de alimentos tão bem quanto o índice oficial. Por isso, antes de olhar os distritos, a HYPR comparou o índice construído a partir das notas com o IPCA de alimentação no domicílio da região metropolitana de São Paulo, mês a mês, de março de 2025 a julho de 2026. A correlação entre as duas séries é de 0,84, com erro médio de 0,4 ponto por mês. Em 12 meses, as notas registram alta de 3,5%, contra 3,7% do IPCA.
- Notas fiscais (HYPR)
- IPCA
Variação mensal, de março de 2025 a julho de 2026. Valores lidos do gráfico do estudo e arredondados a 0,1 ponto.
Item a item, as notas também reproduzem os grandes movimentos do período na cidade inteira. O tomate subiu 43,8% até maio e devolveu boa parte disso até julho, quando acumulava 18,8%. Maçã, açúcar refinado e tangerina, por sua vez, ficaram mais baratos, na mesma direção apontada pelo IPCA.
| Item | Dez–mai | Dez–jul | IPCA dez–jul | Comparações |
|---|---|---|---|---|
| Tomate | +43,8% | +18,8% | +29,1% | 14.918 |
| Feijão carioca | +29,6% | +36,5% | +44,5% | 6.027 |
| Batata | +23,1% | +14,9% | +38,9% | 21.918 |
| Leite longa vida | +15,2% | +17,2% | +29,9% | 61.307 |
| Manga | +12,2% | +28,5% | +31,3% | 12.188 |
| Alface | +11,3% | +16,0% | +11,9% | 7.407 |
| Músculo | +10,8% | +11,7% | +11,8% | 3.595 |
| Pá | +9,2% | +8,5% | +7,4% | 1.859 |
| Maçã | −7,2% | −12,3% | −5,1% | 19.405 |
| Banana nanica | −7,9% | −2,1% | −5,9% | 5.413 |
| Açúcar refinado | −9,3% | −15,3% | −15,6% | 3.269 |
| Tangerina | −17,8% | −24,4% | −3,0% | 7.222 |
Metodologia
Nos bairros de menor renda, o preço da comida reage mais rápido. Quando os alimentos encarecem, quem ganha menos sente antes e mais forte. Quando os preços cedem, o alívio também chega primeiro lá.
Como o estudo foi feito
O estudo usou 39,6 milhões de notas fiscais de consumidor emitidas na cidade de São Paulo entre dezembro de 2025 e julho de 2026, que somam R$ 3,76 bilhões em compras feitas em até 18.398 estabelecimentos por mês. Dessas notas saem 54 milhões de registros de itens e 2,6 milhões de comparações do mesmo produto, na mesma loja, de um mês para o outro.
Os produtos são agrupados em 80 itens do IPCA, que representam 99% do peso da alimentação no domicílio, e ponderados com os pesos oficiais da região metropolitana de São Paulo, os mesmos para todos os distritos.
Critérios e limites
Cada estabelecimento é localizado no distrito em que funciona. Distritos, marcas e produtos só são citados quando reúnem pelo menos 20 lojas em cada grupo comparado, critério que 69 dos 96 distritos atendem. Os grupos de renda usam a renda média dos setores censitários do Censo 2022, com médias ponderadas pela população.
O estudo mede o preço praticado nas lojas de cada distrito, sem considerar o endereço de quem faz a compra. A HYPR armazena apenas dados de consumo anonimizados.