- O revIQ, powered by Groundflow, lê 30 milhões de cupons fiscais por mês, cerca de 5% do que se emite no estado de São Paulo.
- Só o varejo alimentar responde por 10,6 milhões desses cupons mensais, vindos de 8,3 mil lojas observadas.
- Para saber se um preço subiu ou caiu, 260 municípios e 1.888 bairros do estado já têm leitura mensal suficiente.
Quanto do estado cabe nos cupons
Toda vez que alguém passa as compras no caixa de um supermercado paulista, a máquina registra um cupom fiscal com o que foi comprado, quanto custou, em que loja e em que momento. O estado de São Paulo emite cerca de 20 milhões desses cupons por dia, perto de 7 bilhões por ano. Quem consegue ler uma parte desse fluxo passa a ter um retrato do consumo feito de compras que de fato aconteceram, sem depender da memória ou da boa vontade de quem responde a uma pesquisa.
O revIQ, powered by Groundflow, lê hoje 30 milhões de cupons por mês, algo em torno de 5% de tudo o que o estado emite. À primeira vista, a fatia parece pequena, e a pergunta que move este estudo nasce dessa impressão. Quanto de São Paulo dá para enxergar com 5% dos cupons? Em quais municípios e bairros a leitura já é grande o bastante para sustentar um número publicável, e em quais ela ainda fica aquém?
Para responder, é preciso combinar antes o que se entende por número confiável. A estatística resolve isso com duas medidas. A confiança indica com que frequência uma estimativa acerta, e o erro indica quanto ela pode se afastar do valor verdadeiro. Um resultado com 90% de confiança e erro de 5 pontos acerta dentro dessa faixa em nove de cada dez vezes. Como cada uso de dado pede um rigor diferente, o estudo não impõe uma precisão única. Você escolhe a sua, e o simulador mostra até onde a leitura chega com ela.
Leia o estudo completo.
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- Como medimos a cobertura
- Um mercado de 7 bilhões de cupons por ano
- Simulador de cobertura por precisão
Como medimos a cobertura
Antes de qualquer conta, o mapa de cobertura depende de quatro decisões de método. Elas definem qual é o universo de lojas, que cupons entram na leitura, a partir de quando uma área passa a ser publicável e como tratar as grandes redes em relação ao comércio independente.
- 01Universo
O cadastro da Receita Federal define o denominador.
Contamos os estabelecimentos ativos no estado e os agrupamos pela atividade principal (CNAE). O alimentar reúne os códigos 4711, 4712 e 4729-6/02; o farmacêutico, o 4771; restaurantes, o 5611; padarias e laticínios, o 4721. Os demais códigos da divisão 47 formam o grupo de outros varejos.
- 02Leitura
Só entram cupons efetivamente lidos.
Usamos a emissão de maio a julho de 2026, os três meses mais recentes com leitura completa, somada mês a mês em cada célula do mapa, ou seja, no estado, em cada município e em cada bairro.
- 03Critério
Uma célula se torna publicável quando alcança a amostra mínima.
A conta usa a confiança e o erro escolhidos e parte do pior caso, uma proporção de 50%. Para atestar presença, basta um cupom, enquanto tendência, ticket médio, share e benchmark pedem amostras progressivamente maiores.
- 04Segmento
Grandes redes e long tail são medidas separadamente.
Consideramos grande rede todo CNPJ raiz com 20 lojas ou mais no estado. Como os dois grupos se comportam como mercados distintos, cada um tem a sua própria conta de cobertura.
O pior caso merece uma explicação. A margem de erro de uma proporção atinge o máximo quando ela está em 50%, situação em que o resultado pode pender para qualquer lado com a mesma chance. Calcular a amostra mínima nesse cenário garante que a margem prometida continue valendo para qualquer proporção que a leitura venha a encontrar depois.
Um mercado de 7 bilhões de cupons por ano
Antes de olhar o mapa, convém dimensionar o mercado. A Sefaz-SP tem dados declarados de emissão de cupons fiscais até 2020; para os anos seguintes, projetamos um crescimento de 2,5% ao ano. O desenho que resulta é o de um mercado enorme e de expansão lenta, que já passou dos 7 bilhões de cupons anuais.
- Sefaz-SP (declarado)
- Estimativa
Fonte: Sefaz-SP (Nota Fiscal Paulista), 2014–2020; estimativa de 2,5% ao ano a partir de 2021.
A leitura do revIQ anda em outro ritmo. Os volumes de 2025 e 2026 são reais e mostram a base saltando de 91 milhões para 230 milhões de cupons no ano. Para 2027, a estimativa é de 360 milhões, e daí em diante a projeção considera um crescimento de 5% ao ano, o dobro do ritmo do mercado. Na prática, a fatia do estado que a leitura alcança tende a aumentar a cada ano.
- Real
- Estimativa
Real em 2025 e 2026 (revIQ, powered by Groundflow); estimativa a partir de 2027, com 360 milhões e crescimento de 5% ao ano.
Ler 5% de um mercado desse tamanho pode soar modesto. Em estatística, porém, o que sustenta uma estimativa é a quantidade de observações dentro de cada recorte, muito mais do que a fração que ele representa do total. Com milhões de cupons por mês, sobra leitura para responder a muitas perguntas locais, e a cobertura passa a depender sobretudo do rigor que cada pergunta exige.
Ler 5% do que o estado emite já basta para centenas de municípios e milhares de bairros, desde que a pergunta caiba na precisão escolhida.
Simulador de cobertura por precisão
O simulador parte de cinco casos de uso, do mais simples ao mais exigente. Saber se uma loja está aberta e vendendo pede apenas um cupom no período. Para dizer se algo subiu ou caiu de um período para o outro, bastam 90% de confiança e erro de 5 pontos. Ticket médio e mix de categorias elevam a confiança para 95%, e o share de marca, padrão das pesquisas de mercado, aperta o erro para 3 pontos. No topo da escala está o benchmark institucional, pensado para números de imprensa e de conselho, que exige 99% de confiança e erro de 2 pontos. Se preferir, ajuste a confiança e o erro manualmente.
Em seguida, escolha a geografia, a periodicidade, o setor e o segmento, e o painel mostra quantos municípios e bairros já têm leitura suficiente nessas condições. Os cálculos partem da distribuição real dos cupons em cada célula. Uma média estadual esconderia a desigualdade com que a leitura se espalha pelo mapa, e é justamente essa desigualdade que define onde um número pode ou não ser publicado.
Carregando o simulador…
Grande rede = CNPJ raiz com 20 ou mais lojas em SP. Fonte: revIQ, powered by Groundflow, e Receita Federal (estabelecimentos ativos); cupons emitidos de maio a julho de 2026.
Na prática, a mesma base de leitura responde a perguntas de naturezas muito diferentes. Acompanhar a direção de preços e vendas já é possível, mês a mês, em 260 municípios e 1.888 bairros, enquanto números com rigor de benchmark ficam, por ora, restritos às áreas de maior movimento. Como a leitura cresce mais depressa que o mercado, essa fronteira tende a avançar para cidades e bairros cada vez menores.